O clima é de velório na TV Globo! Em menos de 24 horas, a poderosa emissora foi obrigada a retirar do ar um comercial comemorativo dos seus 45 anos que custou uma fortuna – envolvendo vários artistas e milionária produção. O clip parecia uma peça publicitária do presidenciável demotucano José Serra. Utilizava um bordão semelhante ao da sua campanha, “O Brasil pode mais”, com as estrelas globais em coro implorando “todos queremos mais”, e trazia em destaque o número 45, o mesmo da legenda do PSDB – inclusive com uma fonte de letra bastante similar.
O ousado e descarado comercial gerou uma imediata onda de indignação na globosfera. Marcelo Branco, um dos responsáveis pela campanha de Dilma Rousseff na internet, acusou a TV Globo de fazer propaganda subliminar do adversário. “Eu e toda a rede vimos essa alusão”, disparou em seu twitter. Já o jornalista Paulo Henrique Amorim, do acessado blog Conversa Afiada, exigiu que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) averiguasse a possibilidade de crime eleitoral promovido pela emissora. O “clip pró Serra” foi exibido com críticas em centenas de sítios e blogs.
Desculpa esfarrapada e risível
Diante do levante dos internautas, a emissora colocou o rabinho entre as pernas e retirou o vídeo das telinhas e do seu próprio sitio. Quem clica na página recebe a curta mensagem: “página não encontrada”. Numa nota lacônica, a Central Globo de Comunicação ainda tentou justificar a feia pisada na bola. Afirmou que o filme foi criado em novembro de 2009, quando “não existiam nem candidaturas muito menos slogans”, e informou: “Mas a Rede Globo não pretende dar pretexto para ser acusada de ser tendenciosa e está suspendendo a veiculação do filme”.
A desculpa é das mais esfarrapadas e risíveis. Será que o candidato tucano, após reunião secreta no Jardim Botânico, roubou o mote do comercial comemorativo de TV Globo? Seria mais um crime de plágio, tão comum a Serra. Ou foi a emissora que aproveitou o lema de campanha da oposição para fazer propaganda antecipada? Seria um nítido crime eleitoral. Ou as duas hipóteses? Os vínculos políticos entre Serra e a famíglia Marinho são antigos e notórios. A TV Globo teria todo o tempo hábil para cancelar o clip e evitar o vexame, mas preferiu apostar no seu prestígio.
Uma emissora “tendenciosa” e cínica
Quanto a ser tachada de “tendenciosa”, como afirma a risível nota, isto não é uma acusação, mas sim um fato – comprovado pela história. A TV Globo tentou fraudar a vitória de Leonel Brizola nas eleições para o governo do Rio de Janeiro em 1982. A TV Globo escondeu as manifestações das Diretas-já, tratando um gigantesco ato em São Paulo como “uma festa de aniversário” da cidade. A TV Globo forjou a imagem do “caçador de marajás” para garantir a vitória de Collor de Mello em 1989. A TV Globo criminaliza os movimentos sociais, tratando-os como “caso de polícia”, e faz de tudo para desestabilizar o governo Lula – inclusive apostando no seu impeachment.
Mais recentemente, a TV Globo foi a principal patrocinadora do seminário da Casa Millenium, que reuniu os barões da mídia com o objetivo explícito de traçar uma tática unitária para derrotar Dilma Rousseff. Os astros globais, como Arnaldo Jabor, Willian Waack e outros, foram os mais hidrófobos nos ataques à candidata que representa a continuidade do projeto do governo Lula. O clip pró Serra talvez tenha sido uma das peças da TV Globo para a batalha sucessória. Mas a poderosa emissora, que se acha um semideus, acabou se dando mal e pagou um baita mico.
“Foi sem querer, querendo”
Este episódio grotesco traz várias lições. Por um lado, comprova que a batalha eleitoral deste ano será das mais sujas e ardilosas e confirma que os principais meios de comunicação já escolheram o seu lado e não vacilarão na campanha. Não dá para ser ingênuo ou alimentar qualquer ilusão na pretensa neutralidade da mídia. Por outro, ele mostra que a sociedade está mais atenta diante das manipulações e indica que a internet terá maior influência e será uma arma poderosa neste pleito, ajudando a fiscalizar as sujeiras e manobras dos barões da mídia.
Para Rodrigo Vianna, do blog Escrevinhador, “o interessante é que o recuo da Globo mostra que eles temem a internet. Foi pela internet que se deu o alarme contra a propaganda descarada para o Serra. A Veja pode se dar ao luxo de cair no gueto da extrema-direita... A Folha e o Estadão também podem cair no gueto. Já caíram. Mas a TV Globo, não. Ela fala para milhões. Se ficar colada à imagem dela o rótulo de antipopular, o estrago será enorme. A Globo – a essa altura do século 21 – precisa agir com um pouco mais de cautela. Vai fazer campanha para o Serra, não resta dúvida. Mas sempre que isso ficar escancarado, ela vai recuar e dizer: ‘foi sem querer, querendo’”.blog Miro
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Para quem não viu a vinheta:
http://www.youtube.com/watch?v=AU6d2XKTvi0
quinta-feira, 22 de abril de 2010
quinta-feira, 15 de abril de 2010
A hora é agora
Acompanhamos pelas pesquisas feitas pelos principais institutos capixabas, que Ferraço - apesar dos apoios recebidos, inclusive de prefeitos da Grande Vitória e da máquina do governo do Estado – não conseguiu deslanchar e abrir grande margem sobre o segundo colocado, o senador Renato Casagrande, que sequer oficializou sua pré-candidatura e continua dizendo que ficou isolado na conformação das possíveis alianças. Cabe aqui a pergunta: ficou isolado ou isolou-se?
Por outro lado, o grupo que gravita Luiz Paulo e abriga ferrenhos opositores do projeto governista, quer manter-se amigo e aliado de PH. Mas como manter a coerência se rechaçam os ônus dos desgastes e ataques que algumas políticas do governo têm sofrido, principalmente depois das denúncias na ONU com relação à ausência de política de segurança pública e os problemas do sistema carcerário?
Falta também, no campo analítico, uma tese que responda porque a candidatura de Ricardo ainda não deslanchou ?
A resposta é complexa, mas algumas análises podem ser feitas. Como o cenário ainda não se firmou, pode-se crer que os setores sociais mais avançados, formadores de opinião, ainda desconfiam de grupos políticos anacrônicos presentes na aliança pró-Ferraço. É notório, nessa articulação, a presença de grupos ligados aos desgovernos passados, hoje posando de apoiadores de Ferraço. Este fato, por si, está gerando instabilidade e interferindo na coesão do grupo. Haja vista a luta quase fratricida pela indicação do segundo nome ao Senado. Desta forma será difícil construir a credibilidade necessária para o crescimento de Ferraço. Falta a esses grupos o “DNA” das virtudes do governo PH.
A essa altura é imprescindível a presença de Guerino Balestrassi na chapa palaciana, para confirmação do “DNA” da nova política capixaba inaugurada com PH e fortificada pela aliança com João Coser. Este seria, inclusive, um dos motivos que teria colaborado para “o fico” do governador. De quebra, João e Guerino têm o apoio dos municipalistas e de importantes setores da Igreja Católica e dos movimentos sociais, nos quais também vivificam as principais vozes questionadoras das masmorras capixabas. Portanto, ultrapassaria a um mero acordo institucional.
O nome de Balestrassi para o Senado, além disso, deixaria a chapa palaciana mais robusta, com perspectivas de eleger dois senadores aliados dos futuros governos de Dilma Rousseff e de Ferraço, e evitando o risco de eleger um representante da oposição.
Um movimento confuso orquestrado pelo senador Malta, em fim de mandato e ávido pela reeleiçào, também revela a instabilidade no grupo palaciano. Preocupado com a entrada de Guerino do bloco de Ferraço, o senador ameaçou com sua saída e a movimentação para uma carreira solo. Se caminhar com Casagrande, Malta fortalece Audifax e desagrada Vidigal. Se baldear para o lado de Luiz Paulo, fortalece o ninho dos Max e deixa enfraquecido Neucimar. Lembrando ainda que sua candidatura oscila entre o midiático combate à pedofilia e o obscurantismo dos sanguessugas.
Não é hora de se forçar articulações institucionais com fins eleitoreiros. É preciso mais. É hora de evidenciar-se o compromisso com políticas públicas proativas, resolutivas das mazelas que afligem a população, em defesa da qualidade de vida, da cultura da paz, dos direitos humanos e da participação popular. É hora de agregar, e compor uma aliança que aponte no rumo desenvolvimentista e municipalista, resguardando a sustentabilidade. Consolidar políticas para geração de empregos e renda, da valorização da economia solidária e proteção do meio ambiente. É hora de firmar um compromisso com a transparência e a ética em prol de um Espírito Santo que amplie as políticas de redução das desigualdades e conquistas sociais.
João Batista Babá – vereador de Vila Velha
Por outro lado, o grupo que gravita Luiz Paulo e abriga ferrenhos opositores do projeto governista, quer manter-se amigo e aliado de PH. Mas como manter a coerência se rechaçam os ônus dos desgastes e ataques que algumas políticas do governo têm sofrido, principalmente depois das denúncias na ONU com relação à ausência de política de segurança pública e os problemas do sistema carcerário?
Falta também, no campo analítico, uma tese que responda porque a candidatura de Ricardo ainda não deslanchou ?
A resposta é complexa, mas algumas análises podem ser feitas. Como o cenário ainda não se firmou, pode-se crer que os setores sociais mais avançados, formadores de opinião, ainda desconfiam de grupos políticos anacrônicos presentes na aliança pró-Ferraço. É notório, nessa articulação, a presença de grupos ligados aos desgovernos passados, hoje posando de apoiadores de Ferraço. Este fato, por si, está gerando instabilidade e interferindo na coesão do grupo. Haja vista a luta quase fratricida pela indicação do segundo nome ao Senado. Desta forma será difícil construir a credibilidade necessária para o crescimento de Ferraço. Falta a esses grupos o “DNA” das virtudes do governo PH.
A essa altura é imprescindível a presença de Guerino Balestrassi na chapa palaciana, para confirmação do “DNA” da nova política capixaba inaugurada com PH e fortificada pela aliança com João Coser. Este seria, inclusive, um dos motivos que teria colaborado para “o fico” do governador. De quebra, João e Guerino têm o apoio dos municipalistas e de importantes setores da Igreja Católica e dos movimentos sociais, nos quais também vivificam as principais vozes questionadoras das masmorras capixabas. Portanto, ultrapassaria a um mero acordo institucional.
O nome de Balestrassi para o Senado, além disso, deixaria a chapa palaciana mais robusta, com perspectivas de eleger dois senadores aliados dos futuros governos de Dilma Rousseff e de Ferraço, e evitando o risco de eleger um representante da oposição.
Um movimento confuso orquestrado pelo senador Malta, em fim de mandato e ávido pela reeleiçào, também revela a instabilidade no grupo palaciano. Preocupado com a entrada de Guerino do bloco de Ferraço, o senador ameaçou com sua saída e a movimentação para uma carreira solo. Se caminhar com Casagrande, Malta fortalece Audifax e desagrada Vidigal. Se baldear para o lado de Luiz Paulo, fortalece o ninho dos Max e deixa enfraquecido Neucimar. Lembrando ainda que sua candidatura oscila entre o midiático combate à pedofilia e o obscurantismo dos sanguessugas.
Não é hora de se forçar articulações institucionais com fins eleitoreiros. É preciso mais. É hora de evidenciar-se o compromisso com políticas públicas proativas, resolutivas das mazelas que afligem a população, em defesa da qualidade de vida, da cultura da paz, dos direitos humanos e da participação popular. É hora de agregar, e compor uma aliança que aponte no rumo desenvolvimentista e municipalista, resguardando a sustentabilidade. Consolidar políticas para geração de empregos e renda, da valorização da economia solidária e proteção do meio ambiente. É hora de firmar um compromisso com a transparência e a ética em prol de um Espírito Santo que amplie as políticas de redução das desigualdades e conquistas sociais.
João Batista Babá – vereador de Vila Velha
quarta-feira, 24 de março de 2010
Participação Popular
Aparticipação popular como sinônimo de democratização da gestão pública e de descentralização das decisões tem andado lado a lado à modernização do setor público no Brasil pós-Constituição de 1988. Não foi por acaso que isto ocorreu. A busca de eficiência nas políticas sociais não ocorre com gestores e técnicos distantes dos anseios da sociedade civil e dos movimentos sociais. Um governo poderá administrar bem sem participação, mas não seguirá adiante se não gerar transparência e confiança na sociedade.
Nessa história, o Partido dos Trabalhadores (PT) tem significativas contribuições com seu exemplo de democracia interna e luta pelo direito à participação em suas administrações, aplicando o paradigma do Modo Petista de Governar, materializado na criação de conselhos em diversos setores e instâncias e pelo estabelecimento do orçamento participativo.
Quando em Vila Velha, em 1982, e Porto Alegre, mais adiante, foi adotado o Orçamento Participativo, os administradores já tinham a noção exata de que iniciavam uma revolução na forma de gestão pública - definindo, em conjunto com a população, a aplicação dos recursos.
Por meio do orçamento participativo, a população tem em suas mãos uma ferramenta imprescindível para integrar o cidadão ao poder político. A população ganha voz ativa nas prioridades do orçamento público, e a administração ganha legitimidade para executar o planejamento da cidade. Até hoje, este modelo está previsto na Lei Orgânica do município de Vila Velha, em seu artigo 123, desde 1990.
Ao longo da história, outros espaços foram criados, cuja discussão de projetos conta com a participação de empresários, sindicatos, governo estadual e organizações da sociedade civil. Refiro-me aos conselhos setoriais e às conferências de área. Os conselhos influenciaram na melhoria da qualidade dos serviços públicos oferecidos às comunidades.
Outra importante ação que integra a democratização e a participação popular, é o uso de conferências de área, marca do Governo Federal. Nesses quase oito anos de governo Lula foram realizadas 67 conferências nacionais (com a participação de quatro milhões de pessoas), contra apenas 21 conferências do governo anterior (1994 a 2001).
Contamos com a participação de vários setores da sociedade discutindo e deliberando sobre as políticas públicas para a saúde, educação, assistência social, cultura, comunicação, etc. Como disse o responsável pela organização da 2ª Conferência Nacional de Cultura, João Ribeiro: "Você pode fazer política pública isoladamente ou discutindo com a sociedade. Nós preferimos discutir".
O conceito de políticas públicas tem como prioridade a inclusão da população nas decisões políticas, para que todos se sintam responsáveis pelo debate, implementação e controle dos gastos e investimentos públicos. Assim, a população tem o direito de participar, opinar, e até deliberar. Este é o nosso propósito maior. Foi por isto que convidamos o sociólogo Emir Sader, o professor da Ufes Roberto Garcia Simões, o cientista político Fernando João Pignaton e o economista José Antonio Buffon para debater a questão amanhã à noite, em seminário no auditório da Faculdade Novo Milênio, em Vila Velha, aberto naturalmente à ampla participação popular.
João Batista Babá é vereador do PT em Vila Velha.
Nessa história, o Partido dos Trabalhadores (PT) tem significativas contribuições com seu exemplo de democracia interna e luta pelo direito à participação em suas administrações, aplicando o paradigma do Modo Petista de Governar, materializado na criação de conselhos em diversos setores e instâncias e pelo estabelecimento do orçamento participativo.
Quando em Vila Velha, em 1982, e Porto Alegre, mais adiante, foi adotado o Orçamento Participativo, os administradores já tinham a noção exata de que iniciavam uma revolução na forma de gestão pública - definindo, em conjunto com a população, a aplicação dos recursos.
Por meio do orçamento participativo, a população tem em suas mãos uma ferramenta imprescindível para integrar o cidadão ao poder político. A população ganha voz ativa nas prioridades do orçamento público, e a administração ganha legitimidade para executar o planejamento da cidade. Até hoje, este modelo está previsto na Lei Orgânica do município de Vila Velha, em seu artigo 123, desde 1990.
Ao longo da história, outros espaços foram criados, cuja discussão de projetos conta com a participação de empresários, sindicatos, governo estadual e organizações da sociedade civil. Refiro-me aos conselhos setoriais e às conferências de área. Os conselhos influenciaram na melhoria da qualidade dos serviços públicos oferecidos às comunidades.
Outra importante ação que integra a democratização e a participação popular, é o uso de conferências de área, marca do Governo Federal. Nesses quase oito anos de governo Lula foram realizadas 67 conferências nacionais (com a participação de quatro milhões de pessoas), contra apenas 21 conferências do governo anterior (1994 a 2001).
Contamos com a participação de vários setores da sociedade discutindo e deliberando sobre as políticas públicas para a saúde, educação, assistência social, cultura, comunicação, etc. Como disse o responsável pela organização da 2ª Conferência Nacional de Cultura, João Ribeiro: "Você pode fazer política pública isoladamente ou discutindo com a sociedade. Nós preferimos discutir".
O conceito de políticas públicas tem como prioridade a inclusão da população nas decisões políticas, para que todos se sintam responsáveis pelo debate, implementação e controle dos gastos e investimentos públicos. Assim, a população tem o direito de participar, opinar, e até deliberar. Este é o nosso propósito maior. Foi por isto que convidamos o sociólogo Emir Sader, o professor da Ufes Roberto Garcia Simões, o cientista político Fernando João Pignaton e o economista José Antonio Buffon para debater a questão amanhã à noite, em seminário no auditório da Faculdade Novo Milênio, em Vila Velha, aberto naturalmente à ampla participação popular.
João Batista Babá é vereador do PT em Vila Velha.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Mulheres no Poder
No Brasil, o voto das mulheres, adquirido 1932 com um dos resultados Revolução de 1930, pode ser compreendido de diversas formas. Uma delas é tomar como uma benesse ou mesmo um reconhecimento da importância das mulheres no processo político. Para desfazer esta imagem, basta lembrar que o direito de voto ainda era restrito, pois permitia o voto apenas de mulheres casadas (com autorização do marido), viúvas e solteiras com renda própria pudessem votar. Embora fosse um avanço, ainda era o Brasil uma cidadania restrita.
O mais correto, portanto, é situar este momento tendo em conta a trajetória da defesa do voto feminino em termos históricos tanto em âmbito internacional quanto nacional. No âmbito internacional relembra-se o movimento anti-escravista das mulheres dos EEUU, que posteriormente originou o movimento sufragista estadunidense. Em 1893, a Nova Zelândia seria o primeiro país a reconhecer o voto feminino. A Austrália em 1902 (com restrições), Finlândia em 1906.
A Inglaterra, símbolo do liberalismo político, só concederia em 1918, apenas para mulheres com idade igual ou maior há 30 anos (baixando para 21 anos em 1928). Os EEUU só o reconheceriam em 1919. Nos diversos países, poucas eram ainda as mulheres eleitas. Ainda que em número reduzido, a atuação destas seria marcante na expansão dos direitos das mulheres.
É preciso lembrar que a luta brasileira pelo voto feminino remonta o império. Embora a participação eleitoral fosse restrita e a luta fosse mais parlamentar do que de mobilização social, vários foram os deputados homens e intelectuais que viam na emancipação políticas das mulheres uma importante conquista. Esta presença massiva dos homens na defesa dos direitos das mulheres é sinal do avanço das mentalidades a que tem passado o Brasil.
Lembremos que, após a Revolução de 1930, o movimento pelo voto feminino no Brasil aumentava a cada dia. Getúlio Vargas, então chefe do governo provisório, declarou aos participantes do II Congresso Internacional Feminista, realizado em junho na Capital Federal, o apoio à emancipação eleitoral das mulheres. Bertha Lutz (presidente da Federação Brasileira Pelo Progresso Feminino), elogiando o ato à luz da expansão do voto feminino pós I Guerra, em 14/08/1931afirmaria que as revoluções de pós-guerra têm favorecido a mulher.
Carlota Pereira de Queiroz (SP), da oposição a Vargas, seria a primeira mulher a assumir uma cadeira na Câmara Federal. Bertha Lutz, que participara junto com Nathércia da Cunha Silveira da redação do projeto de lei que regulava o voto feminino, e que declarara apoio a Vargas, seria, com maior destaque, a segunda mulher deputada no Brasil.
Na Améria Latina, embora o Brasil (1932) fosse o segundo pais a implantar o voto femino – o Equador reconhecia voto das mulheres em 1929 e a Argentina apenas em 1947 -, poucas eram as mulheres eleitas. Tal situação contrasta com a da Argentina que, em 1952, elegeu seis senadoras e 23 deputadas peronistas. Caso se faça uma analise histórica, não se deixara de avaliar o quão pequena (ainda que significativa) será a presença da mulher na política político no Brasil.
Assim, embora tenha havido nas últimas décadas a expansão dos direitos das mulheres, o que é exemplificado pelos espaços conquistados na política, na economia, no mundo do trabalho e no judiciário, muitas desigualdades permanecem cristalizadas. No caso da política, em especifico, há prefeitas, vereadoras, deputadas, senadoras, porém em percentual muito pequeno via a vis a igualdade formal entre os gêneros.
Enquanto que nos países nórdicos cerca de metade das vagas parlamentares são ocupadas pelas mulheres, tal representatividade no Brasil não passa de 10%. Importante destacarmos que, quando maior o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, de um país, maiores são as possibilidades e índices de participação da mulher nos variados níveis de poder. Todavia, é necessário considerar também as desigualdades de oportunidades entre os gêneros e nos fatores culturais que, em conjunto, impactam negativamente nas oportunidades reais das mulheres competirem socialmente.
As primeiras mulheres eleitas senadoras no Brasil (1990) foram Júnia Marise (PRN-MG) e Marluce Pinto (PTB-RR). Em 1994, Roseana Sarney (pelo então PFL-MA) foi a primeira governadora. Em termos de competições para presidente da República, apenas em 1998 haveria uma candidata mulher. Teresa Tinajero Ruiz concorrendo pelo PTN, teria cerca de 0,5% dos votos, e seria assim a primeira candidata a presidente da Republica do Brasil. Roseana Sarney(PFL-MA), quase candidata à presidência, e Rita Camata (PMDB-ES), vice na chapa de José Serra, são exemplos a serem destacados nas eleições de 2002 Já em 2006, a senadora Heloisa Helena (PSOL) teria 6% dos votos e Ana Maria Rangel (PRP), teria 0,13%.
Desde 2003, no governo Lula, há um franco reconhecimento da necessidade de políticas públicas e expansão de direitos. Isto pode ser exemplificada não somente pela criação Secretaria Especial de Politicas para as Mulheres (SPM), tendo a frente a professora Nilcéa Freire como a ministra, mas também pela oportunidade única de que as eleições presidenciais de 2010 a atual Ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, vença a disputa a presidência da república.
Tal surpresa se dá não apenas pelo histórico indelével da ministra ou por seu posicionamento progressista, mas também por sua capacidade técnica a frente dos ministérios a que passou (Minas e Energia e Casa Civil). Caso eleita, seria uma oportunidade impar de continuar as transformações sociais tão desejadas pela sociedade brasileira.
Mas é preciso reconhecer que o Brasil é ainda uma sociedade com forte ranço conservador e patriarcal. Deste modo, o destaque conseguido pelas mulheres que rompem o padrão deve ser motivo alento e incentivo ao protagonismo feminino de modo geral. Embora em dimensões certamente distintas, o fato de milhões de mulheres estarem não apenas à frente de seus lares, mas a frente do poder significa que elas podem estar também à frente de seu tempo, com capacidade de governar e administrar este grande país que, esperamos, deva ser de todos.
A mulher construiu seu espaço e conquistou sua importância social, seja como mulher, eleitora, no trabalho, nas artes ou na ciência. Mas é essencial que as mulheres ampliem sua capacidade de intervenção nos espaços de poder e nas diversas instâncias sociais, sem este avanço, os direitos da mulher, sua luta pela igualdade e contra a discriminação, o sexismo e o machismo, ficarão distantes do progresso que se almeja para a história da humanidade.
Nas duas últimas gestões da Prefeitura de Vitória (2005 a 2008 e 2009 a 2012) há um exemplo vivo e real das conquistas femininas. Indos do primeiro ao terceiro escalão administrativo, em todas as secretarias, espaços de participação feminina se ampliaram nas equipes de governo. Isto é certamente um exemplo para a cidade e para o próprio ES, mostrando que os valores do pluralismo político do governo – formado por uma coalizão de 14 partidos, tendo a frente o PT e o PMDB –, é capaz de pautar-se pelo mérito e pela expansão de oportunidades às mulheres.
Oito de março. Parabéns mulheres capixabas, parabéns mulheres brasileiras!
MARTA GAGNO INTRA
Subsecretária de Relações Comunitárias
E Mobilização Popular e
Tesoureira da Executiva Estadual do PT-ES
E-mail: martadi@terra.com.br
O mais correto, portanto, é situar este momento tendo em conta a trajetória da defesa do voto feminino em termos históricos tanto em âmbito internacional quanto nacional. No âmbito internacional relembra-se o movimento anti-escravista das mulheres dos EEUU, que posteriormente originou o movimento sufragista estadunidense. Em 1893, a Nova Zelândia seria o primeiro país a reconhecer o voto feminino. A Austrália em 1902 (com restrições), Finlândia em 1906.
A Inglaterra, símbolo do liberalismo político, só concederia em 1918, apenas para mulheres com idade igual ou maior há 30 anos (baixando para 21 anos em 1928). Os EEUU só o reconheceriam em 1919. Nos diversos países, poucas eram ainda as mulheres eleitas. Ainda que em número reduzido, a atuação destas seria marcante na expansão dos direitos das mulheres.
É preciso lembrar que a luta brasileira pelo voto feminino remonta o império. Embora a participação eleitoral fosse restrita e a luta fosse mais parlamentar do que de mobilização social, vários foram os deputados homens e intelectuais que viam na emancipação políticas das mulheres uma importante conquista. Esta presença massiva dos homens na defesa dos direitos das mulheres é sinal do avanço das mentalidades a que tem passado o Brasil.
Lembremos que, após a Revolução de 1930, o movimento pelo voto feminino no Brasil aumentava a cada dia. Getúlio Vargas, então chefe do governo provisório, declarou aos participantes do II Congresso Internacional Feminista, realizado em junho na Capital Federal, o apoio à emancipação eleitoral das mulheres. Bertha Lutz (presidente da Federação Brasileira Pelo Progresso Feminino), elogiando o ato à luz da expansão do voto feminino pós I Guerra, em 14/08/1931afirmaria que as revoluções de pós-guerra têm favorecido a mulher.
Carlota Pereira de Queiroz (SP), da oposição a Vargas, seria a primeira mulher a assumir uma cadeira na Câmara Federal. Bertha Lutz, que participara junto com Nathércia da Cunha Silveira da redação do projeto de lei que regulava o voto feminino, e que declarara apoio a Vargas, seria, com maior destaque, a segunda mulher deputada no Brasil.
Na Améria Latina, embora o Brasil (1932) fosse o segundo pais a implantar o voto femino – o Equador reconhecia voto das mulheres em 1929 e a Argentina apenas em 1947 -, poucas eram as mulheres eleitas. Tal situação contrasta com a da Argentina que, em 1952, elegeu seis senadoras e 23 deputadas peronistas. Caso se faça uma analise histórica, não se deixara de avaliar o quão pequena (ainda que significativa) será a presença da mulher na política político no Brasil.
Assim, embora tenha havido nas últimas décadas a expansão dos direitos das mulheres, o que é exemplificado pelos espaços conquistados na política, na economia, no mundo do trabalho e no judiciário, muitas desigualdades permanecem cristalizadas. No caso da política, em especifico, há prefeitas, vereadoras, deputadas, senadoras, porém em percentual muito pequeno via a vis a igualdade formal entre os gêneros.
Enquanto que nos países nórdicos cerca de metade das vagas parlamentares são ocupadas pelas mulheres, tal representatividade no Brasil não passa de 10%. Importante destacarmos que, quando maior o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, de um país, maiores são as possibilidades e índices de participação da mulher nos variados níveis de poder. Todavia, é necessário considerar também as desigualdades de oportunidades entre os gêneros e nos fatores culturais que, em conjunto, impactam negativamente nas oportunidades reais das mulheres competirem socialmente.
As primeiras mulheres eleitas senadoras no Brasil (1990) foram Júnia Marise (PRN-MG) e Marluce Pinto (PTB-RR). Em 1994, Roseana Sarney (pelo então PFL-MA) foi a primeira governadora. Em termos de competições para presidente da República, apenas em 1998 haveria uma candidata mulher. Teresa Tinajero Ruiz concorrendo pelo PTN, teria cerca de 0,5% dos votos, e seria assim a primeira candidata a presidente da Republica do Brasil. Roseana Sarney(PFL-MA), quase candidata à presidência, e Rita Camata (PMDB-ES), vice na chapa de José Serra, são exemplos a serem destacados nas eleições de 2002 Já em 2006, a senadora Heloisa Helena (PSOL) teria 6% dos votos e Ana Maria Rangel (PRP), teria 0,13%.
Desde 2003, no governo Lula, há um franco reconhecimento da necessidade de políticas públicas e expansão de direitos. Isto pode ser exemplificada não somente pela criação Secretaria Especial de Politicas para as Mulheres (SPM), tendo a frente a professora Nilcéa Freire como a ministra, mas também pela oportunidade única de que as eleições presidenciais de 2010 a atual Ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, vença a disputa a presidência da república.
Tal surpresa se dá não apenas pelo histórico indelével da ministra ou por seu posicionamento progressista, mas também por sua capacidade técnica a frente dos ministérios a que passou (Minas e Energia e Casa Civil). Caso eleita, seria uma oportunidade impar de continuar as transformações sociais tão desejadas pela sociedade brasileira.
Mas é preciso reconhecer que o Brasil é ainda uma sociedade com forte ranço conservador e patriarcal. Deste modo, o destaque conseguido pelas mulheres que rompem o padrão deve ser motivo alento e incentivo ao protagonismo feminino de modo geral. Embora em dimensões certamente distintas, o fato de milhões de mulheres estarem não apenas à frente de seus lares, mas a frente do poder significa que elas podem estar também à frente de seu tempo, com capacidade de governar e administrar este grande país que, esperamos, deva ser de todos.
A mulher construiu seu espaço e conquistou sua importância social, seja como mulher, eleitora, no trabalho, nas artes ou na ciência. Mas é essencial que as mulheres ampliem sua capacidade de intervenção nos espaços de poder e nas diversas instâncias sociais, sem este avanço, os direitos da mulher, sua luta pela igualdade e contra a discriminação, o sexismo e o machismo, ficarão distantes do progresso que se almeja para a história da humanidade.
Nas duas últimas gestões da Prefeitura de Vitória (2005 a 2008 e 2009 a 2012) há um exemplo vivo e real das conquistas femininas. Indos do primeiro ao terceiro escalão administrativo, em todas as secretarias, espaços de participação feminina se ampliaram nas equipes de governo. Isto é certamente um exemplo para a cidade e para o próprio ES, mostrando que os valores do pluralismo político do governo – formado por uma coalizão de 14 partidos, tendo a frente o PT e o PMDB –, é capaz de pautar-se pelo mérito e pela expansão de oportunidades às mulheres.
Oito de março. Parabéns mulheres capixabas, parabéns mulheres brasileiras!
MARTA GAGNO INTRA
Subsecretária de Relações Comunitárias
E Mobilização Popular e
Tesoureira da Executiva Estadual do PT-ES
E-mail: martadi@terra.com.br
CAMPANHA DA FRATERNIDADE E ECONOMIA SOLIDÁRIA
Mais uma vez a Igreja Católica se coloca no debate diante de um tema atual e de grande relevância para sociedade brasileira durante a Campanha da Fraternidade (CF), em sua 46ª edição. E, mais uma vez, ela não está sozinha. Assim como ocorreu em 2000 e 2005, ela será organizada pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic) – entidade que congrega além da Igreja Católica Romana, a Igreja Luterana, Presbiteriana, Anglicana e Católica Ortodoxa.
Este ano, a Campanha da Fraternidade, por inspiração da crise global que assolou o mundo no final de 2008 e 2009, versará sobre a economia. Com o Tema "Economia e Vida" e o lema “Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro” – (MT 6, 24), a CF 2010 quer alertar o povo que a riqueza está se tornando um valor supremo, em nome do qual todos os outros valores acabam sendo sacrificados. Além disso, como ressalta o texto-base, precisamos repensar o modelo econômico vigente.
O tema foi escolhido pela comissão, que entendeu que há uma grande massa da população na miséria e que é necessário incluir no discurso e na prática da economia não somente o serviço aos seres humanos, mas também a conservação do planeta Terra.
Pergunta-se: como a fé cristã pode inspirar uma economia que seja dirigida para a satisfação das necessidades humanas e para a construção do bem comum? De que maneira eu contribuo para o bem viver na minha casa, no bairro, na cidade e em outros espaços onde estou presente?
Como desafio, pretende-se apontar caminhos que estabeleçam uma nova relação com os bens materiais, modificando a lógica do mercado neoliberal. Entre as ações propostas estão a luta em favor da tributação justa e progressiva, a auditoria da dívida pública, a adoção de políticas econômicas de distribuição de renda e o direito à alimentação.
Outra ação de destaque é a promoção de experiências sustentáveis bem-sucedidas que não agridam o meio ambiente, como por exemplo, a prática da economia solidária. Como afirmou o arcebispo metropolitano de São Paulo, Dom Odilo Scherer:
"Podemos promover formas de economia que visem, por exemplo, integrar grupos que estão socialmente marginalizados, o comércio eco-solidário, a economia de comunhão. Existem muitas formas de se promover uma economia menos individualista e mais solidária".
Além do texto-base da campanha, o Conic elaborou um subsídio tratando da economia solidária, intitulado de Economia solidária: uma nova economia é possível, orientando os interessados a estruturar e a manter empreendimentos econômicos associativos.
Nesse cenário/panorama, a economia solidária se coloca como uma experiência positiva e muito difusa de que outra economia está sendo construída, mostrando a nós uma nova maneira de produzir, comercializar e consumir os bens produzidos, através do trabalho coletivo, de cooperativas, da autogestão.
Economia solidária é também um jeito de estar no mundo e de consumir produtos locais, saudáveis, que não afetam o meio ambiente e que não beneficiam apenas as grandes empresas, fazendo circular o dinheiro.
É uma proposta que não fecha aqui. Ela vai além. Entende-se que, por meio da solidariedade, é possível a inclusão de todos e todas nos benefícios do desenvolvimento. É o direito a cidadania. É o direito à democratização e ao acesso aos meios de produção de bens e serviços como os bens naturais.
Vila Velha deu importante passo. Em nossa atuação, em 2009, propomos a lei que institui a Política Municipal de Fomento à Economia Popular Solidária no município. Mobilizamos os demais companheiros da Câmara apresentando o projeto de lei com assinatura coletiva.
Este projeto de lei contou com visitas e consultas às lideranças e organizações municipais atuantes na área de economia solidária (MOVIVE, Banco Terra, Banco Verde Vida).
A aprovação deste Projeto de Lei criará o Conselho Municipal de Economia Solidária, bem como o Fundo Municipal de Economia Solidária, estruturas estas que oferecerão subsídios para o fomento desta nova relação econômico-social.
Este ano, a Campanha da Fraternidade, por inspiração da crise global que assolou o mundo no final de 2008 e 2009, versará sobre a economia. Com o Tema "Economia e Vida" e o lema “Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro” – (MT 6, 24), a CF 2010 quer alertar o povo que a riqueza está se tornando um valor supremo, em nome do qual todos os outros valores acabam sendo sacrificados. Além disso, como ressalta o texto-base, precisamos repensar o modelo econômico vigente.
O tema foi escolhido pela comissão, que entendeu que há uma grande massa da população na miséria e que é necessário incluir no discurso e na prática da economia não somente o serviço aos seres humanos, mas também a conservação do planeta Terra.
Pergunta-se: como a fé cristã pode inspirar uma economia que seja dirigida para a satisfação das necessidades humanas e para a construção do bem comum? De que maneira eu contribuo para o bem viver na minha casa, no bairro, na cidade e em outros espaços onde estou presente?
Como desafio, pretende-se apontar caminhos que estabeleçam uma nova relação com os bens materiais, modificando a lógica do mercado neoliberal. Entre as ações propostas estão a luta em favor da tributação justa e progressiva, a auditoria da dívida pública, a adoção de políticas econômicas de distribuição de renda e o direito à alimentação.
Outra ação de destaque é a promoção de experiências sustentáveis bem-sucedidas que não agridam o meio ambiente, como por exemplo, a prática da economia solidária. Como afirmou o arcebispo metropolitano de São Paulo, Dom Odilo Scherer:
"Podemos promover formas de economia que visem, por exemplo, integrar grupos que estão socialmente marginalizados, o comércio eco-solidário, a economia de comunhão. Existem muitas formas de se promover uma economia menos individualista e mais solidária".
Além do texto-base da campanha, o Conic elaborou um subsídio tratando da economia solidária, intitulado de Economia solidária: uma nova economia é possível, orientando os interessados a estruturar e a manter empreendimentos econômicos associativos.
Nesse cenário/panorama, a economia solidária se coloca como uma experiência positiva e muito difusa de que outra economia está sendo construída, mostrando a nós uma nova maneira de produzir, comercializar e consumir os bens produzidos, através do trabalho coletivo, de cooperativas, da autogestão.
Economia solidária é também um jeito de estar no mundo e de consumir produtos locais, saudáveis, que não afetam o meio ambiente e que não beneficiam apenas as grandes empresas, fazendo circular o dinheiro.
É uma proposta que não fecha aqui. Ela vai além. Entende-se que, por meio da solidariedade, é possível a inclusão de todos e todas nos benefícios do desenvolvimento. É o direito a cidadania. É o direito à democratização e ao acesso aos meios de produção de bens e serviços como os bens naturais.
Vila Velha deu importante passo. Em nossa atuação, em 2009, propomos a lei que institui a Política Municipal de Fomento à Economia Popular Solidária no município. Mobilizamos os demais companheiros da Câmara apresentando o projeto de lei com assinatura coletiva.
Este projeto de lei contou com visitas e consultas às lideranças e organizações municipais atuantes na área de economia solidária (MOVIVE, Banco Terra, Banco Verde Vida).
A aprovação deste Projeto de Lei criará o Conselho Municipal de Economia Solidária, bem como o Fundo Municipal de Economia Solidária, estruturas estas que oferecerão subsídios para o fomento desta nova relação econômico-social.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
A Construção da nova e metropolitana Vila Velha- uma contribuição ao debate
Com taxas de crescimento econômico em torno de 7% ao ano, o estado do Espírito Santo, e a Região Metropolitana em particular, tem se destacado enquanto pólo dinâmico de novos investimentos na Região Sudeste e no Brasil. Dado este processo, A questão a ser respondida refere-se as condições internas a cada município em transformar tais oportunidades em qualidade de vida para a população.
Em especial, é imprescindível que Vila Velha responda como se inserir, seja em termos materiais e simbólicos, neste processo. Sendo mister que o município ajuste as contas com as demandas concretas de sua população e que, com isto, vislumbre um novo rumo para seu futuro. Então não se faz necessário nos ater a um passado distante e longínquo, mas sim olhar para nossa história recente e concentrar esforços na solução dos problemas da população.
Um dos principais fatos da história recente está na modernização vivida à partir da década de 70 em diante, que marcou a Região Metropolitana com crescente implementação do desenvolvimento econômico e demográfico, mas que não foi suficiente (apesar das crescentes oportunidades), para engendrarem homogeneamente, equitativamente, indicadores econômicos e de desenvolvimento humano para os municípios de Vitória, Vila Velha, Cariacica e Serra. Na verdade, este é o problema central decorrente de uma série de problemas derivados desta modernização.
Embora o município de Vila Velha, tenha se constituído enquanto maior contingente populacional e eleitoral do estado, nenhum dos chamados grandes projetos de industrialização vieram para o município. Terminou que, no contexto metropolitano, Vila Velha se constituiu como “cidade dormitório”, advindo daí um de seus maiores conflitos.
A questão não é que isto seja ruim ou bom em si mesmo. A questão é que a demanda de serviços nas últimas décadas tendeu a ser maior que a capacidade de atendimento destas demandas pela municipalidade e pelos governos estaduais. Os trabalhadores e trabalhadoras que ajudaram a construir a infra-estrutura da metrópole não tiveram, em contra partida, atenção igual do poder público em termos de serviços essenciais.
Tais diferenças econômicas e sociais entre os municípios da RMGV e mesmo dentro de cada município, embora possam ser vistas como naturais ou mesmo benéficas, na verdade se constituem enquanto problema e um desafio a ser compreendido e confrontado. A face mais visível deste déficit tem sido anos seguidos, o aumento de bairros com baixa ou nenhuma infra-estrutura e elevadas taxas de criminalidade.
Neste sentido, a implantação de soluções efetivas que diminuam as diferenças internas no acesso dos cidadãos a emprego, renda e serviços públicos de qualidade, tem sido uma meta e compromisso dos governos eleitos para com suas respectivas populações. A compreensão destes problemas internos é evidente, mas tem crescido também nos últimos anos a necessidade de soluções aos problemas metropolitanos.
Já em termos simbólicos, é evidente a importância das tradições e da cultura. Mas a cultura também precisa ser renovada. A cidade precisa fortalecer e reinventar seus símbolos, tornando-os mais democráticos incorporando o conjunto da população. A cidade só estará preparada para o futuro quando deixar de lado seus ranços provincianos e se transformar cada vez mais em uma cidade cosmopolita, aberta ao diálogo, com seus velhos e novos habitantes que, como eu, migraram do interior ou de outros estados para construírem esta cidade. A beleza e a alegria da cidade não devem e nem precisam ser privilégio de poucos.
É necessário cristalizar em cada habitante a idéia de que a cidade precisa ser pensada considerando seus recursos, suas possibilidades, sua diversidade e suas desigualdades internas, mas também refletindo sobre estas potencialidades e problemas como se fossem os de uma metrópole. Se nossos problemas são comuns, as soluções também só virão se as ações contemplarem a RMGV (Região Metropolitana da Grande Vitória). A questão é que governantes não persistam pensado pequeno, pois Vila Velha é parte desta metrópole. Os mandatários sabem que a viabilização social e econômica da Região Metropolitana não é tarefa de um governo isolado, ela nasce da cooperação entre estes, o governo estadual e com apoio e investimento do governo federal.
A questão central é: as respostas aos problemas da cidade não nos remetem a ficarmos olhando para trás indefinidamente, mas sim que a cidade aproveite melhor da sabedoria de seus habitantes, tanto os jovens quanto os mais experientes, para readequar a sua imagem à realidade vivida e sonhada pela maioria de seus habitantes. Só assim construiremos a nova e metropolitana Vila Velha.
Em especial, é imprescindível que Vila Velha responda como se inserir, seja em termos materiais e simbólicos, neste processo. Sendo mister que o município ajuste as contas com as demandas concretas de sua população e que, com isto, vislumbre um novo rumo para seu futuro. Então não se faz necessário nos ater a um passado distante e longínquo, mas sim olhar para nossa história recente e concentrar esforços na solução dos problemas da população.
Um dos principais fatos da história recente está na modernização vivida à partir da década de 70 em diante, que marcou a Região Metropolitana com crescente implementação do desenvolvimento econômico e demográfico, mas que não foi suficiente (apesar das crescentes oportunidades), para engendrarem homogeneamente, equitativamente, indicadores econômicos e de desenvolvimento humano para os municípios de Vitória, Vila Velha, Cariacica e Serra. Na verdade, este é o problema central decorrente de uma série de problemas derivados desta modernização.
Embora o município de Vila Velha, tenha se constituído enquanto maior contingente populacional e eleitoral do estado, nenhum dos chamados grandes projetos de industrialização vieram para o município. Terminou que, no contexto metropolitano, Vila Velha se constituiu como “cidade dormitório”, advindo daí um de seus maiores conflitos.
A questão não é que isto seja ruim ou bom em si mesmo. A questão é que a demanda de serviços nas últimas décadas tendeu a ser maior que a capacidade de atendimento destas demandas pela municipalidade e pelos governos estaduais. Os trabalhadores e trabalhadoras que ajudaram a construir a infra-estrutura da metrópole não tiveram, em contra partida, atenção igual do poder público em termos de serviços essenciais.
Tais diferenças econômicas e sociais entre os municípios da RMGV e mesmo dentro de cada município, embora possam ser vistas como naturais ou mesmo benéficas, na verdade se constituem enquanto problema e um desafio a ser compreendido e confrontado. A face mais visível deste déficit tem sido anos seguidos, o aumento de bairros com baixa ou nenhuma infra-estrutura e elevadas taxas de criminalidade.
Neste sentido, a implantação de soluções efetivas que diminuam as diferenças internas no acesso dos cidadãos a emprego, renda e serviços públicos de qualidade, tem sido uma meta e compromisso dos governos eleitos para com suas respectivas populações. A compreensão destes problemas internos é evidente, mas tem crescido também nos últimos anos a necessidade de soluções aos problemas metropolitanos.
Já em termos simbólicos, é evidente a importância das tradições e da cultura. Mas a cultura também precisa ser renovada. A cidade precisa fortalecer e reinventar seus símbolos, tornando-os mais democráticos incorporando o conjunto da população. A cidade só estará preparada para o futuro quando deixar de lado seus ranços provincianos e se transformar cada vez mais em uma cidade cosmopolita, aberta ao diálogo, com seus velhos e novos habitantes que, como eu, migraram do interior ou de outros estados para construírem esta cidade. A beleza e a alegria da cidade não devem e nem precisam ser privilégio de poucos.
É necessário cristalizar em cada habitante a idéia de que a cidade precisa ser pensada considerando seus recursos, suas possibilidades, sua diversidade e suas desigualdades internas, mas também refletindo sobre estas potencialidades e problemas como se fossem os de uma metrópole. Se nossos problemas são comuns, as soluções também só virão se as ações contemplarem a RMGV (Região Metropolitana da Grande Vitória). A questão é que governantes não persistam pensado pequeno, pois Vila Velha é parte desta metrópole. Os mandatários sabem que a viabilização social e econômica da Região Metropolitana não é tarefa de um governo isolado, ela nasce da cooperação entre estes, o governo estadual e com apoio e investimento do governo federal.
A questão central é: as respostas aos problemas da cidade não nos remetem a ficarmos olhando para trás indefinidamente, mas sim que a cidade aproveite melhor da sabedoria de seus habitantes, tanto os jovens quanto os mais experientes, para readequar a sua imagem à realidade vivida e sonhada pela maioria de seus habitantes. Só assim construiremos a nova e metropolitana Vila Velha.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Esquerdismo
A democracia que a militância do PT quer quanto a democracia que o povo brasileiro quer para seu país são as mesmas. Democracia é democracia! Respeita-se as minorias, mas a escolha da maioria é que deve prevalecer nas decisões. A ala esquerdista do partido é aquela que fica com quem grita mais; com quem dá mais importância para o barulho do que para a organização e o planejamento. Outra parcela, majoritária, como demonstrou a aprovação do indicativo de apoio a Ricardo Ferraço, como plataforma da candidatura da ministra Dilma, consegue entender a importância da gestão pública e por isso leva as instituições que administra ao sucesso, como em Vitória, Cariacica, Cachoeiro, Colatina, Castelo e Mantenópolis, do mesmo modo que ocorre no Governo Federal, ou seja, mais técnica, mais política do que grito.
O PT sempre teve atuação nos movimentos populares, sindicais e junto a setores das igrejas comprometidos com a defesa dos direitos humanos. Mas, nesse momento, é a ala do “PT da gestão” que tem ganhado mais destaque e simpatizantes entre todas as classes chegando também ao eleitor de melhor formação. Tornou-se corriqueiro encontrarmos pessoas que acompanhavam outros partidos e que atualmente votam nos candidatos do PT pelas suas propostas; pelo projeto político-administrativo. Não adianta ser só do contra, tem que ter argumento, sugestões e ações; isso faz crescer uma cidade, um estado ou um país.
O (PT) defende, desde seus documentos fundadores, os princípios democráticos. As diferenças de idéias sempre tiveram vez e voz, organizadas nas Tendências garantidas em seu direito de atuação interna pelo 5º encontro nacional de 1987, diferenciando-se da velha política brasileira, ancorada em “caciques partidários”, que sequer consultam as bases em suas decisões.
No entanto atacar o presidente Lula pelo esforço de construir uma base ampla para dar sustentação às profundas mudanças sociais, desencadeadas pelo primeiro governo de esquerda no Brasil, é praticar a velha demagogia do esquerdismo, de quem não tem compromisso com a maioria democrática dos brasileiros, e está com saudades dos tempos em que o PT tinha o perfil político do PSOL.
A decisão do indicativo não foi fácil, mas necessária, tomada com a responsabilidade de quem está construindo uma gestão de sucesso para a cidade, o estado e o país. Como reflexo dessa posição, podemos dizer que a liderança de Coser e do PT transcendeu aos muros do partido e se estendeu para toda a população capixaba, inserindo-se no centro das decisões mais importantes do estado e recusando o isolacionismo, o esquerdismo e o radicalismo que contribuíram para ofuscar parcialmente a importância do papel do PT na “reconstrução” do Espírito Santo.Com certeza a minoria insatisfeita tem assegurado o direito de se manifestar amplamente, como no PED, sobre quaisquer decisões políticas e o próprio prefeito tem manifestado em eventos partidários internos que a decisão sobre o recurso na instância nacional, vem demonstrar a instituição da democracia interna do PT.
No entanto, atribuir à minoria partidária a titularidade da conduta democrática e taxando a maioria de autoritária e mandonista é distorcer a realidade, enganar o bom senso recender o esquerdismo no interior do PT. O fato é que João age em nome da ampla maioria do eleitorado de Vitória, do estado e do Brasil que consagra elevados níveis de aprovação aos seus governantes, comprovados por várias pesquisas e quer a continuidade da aliança que está colocando o Espírito Santo e sua capital como modelos de gestão de sucesso no país.
Quem tem a maioria na sociedade e no partido não pode ser chamado desrespeitosamente de ’mandonista’ e sim de “detentor da autoridade democrática e legitima”.
O PT sempre teve atuação nos movimentos populares, sindicais e junto a setores das igrejas comprometidos com a defesa dos direitos humanos. Mas, nesse momento, é a ala do “PT da gestão” que tem ganhado mais destaque e simpatizantes entre todas as classes chegando também ao eleitor de melhor formação. Tornou-se corriqueiro encontrarmos pessoas que acompanhavam outros partidos e que atualmente votam nos candidatos do PT pelas suas propostas; pelo projeto político-administrativo. Não adianta ser só do contra, tem que ter argumento, sugestões e ações; isso faz crescer uma cidade, um estado ou um país.
O (PT) defende, desde seus documentos fundadores, os princípios democráticos. As diferenças de idéias sempre tiveram vez e voz, organizadas nas Tendências garantidas em seu direito de atuação interna pelo 5º encontro nacional de 1987, diferenciando-se da velha política brasileira, ancorada em “caciques partidários”, que sequer consultam as bases em suas decisões.
No entanto atacar o presidente Lula pelo esforço de construir uma base ampla para dar sustentação às profundas mudanças sociais, desencadeadas pelo primeiro governo de esquerda no Brasil, é praticar a velha demagogia do esquerdismo, de quem não tem compromisso com a maioria democrática dos brasileiros, e está com saudades dos tempos em que o PT tinha o perfil político do PSOL.
A decisão do indicativo não foi fácil, mas necessária, tomada com a responsabilidade de quem está construindo uma gestão de sucesso para a cidade, o estado e o país. Como reflexo dessa posição, podemos dizer que a liderança de Coser e do PT transcendeu aos muros do partido e se estendeu para toda a população capixaba, inserindo-se no centro das decisões mais importantes do estado e recusando o isolacionismo, o esquerdismo e o radicalismo que contribuíram para ofuscar parcialmente a importância do papel do PT na “reconstrução” do Espírito Santo.Com certeza a minoria insatisfeita tem assegurado o direito de se manifestar amplamente, como no PED, sobre quaisquer decisões políticas e o próprio prefeito tem manifestado em eventos partidários internos que a decisão sobre o recurso na instância nacional, vem demonstrar a instituição da democracia interna do PT.
No entanto, atribuir à minoria partidária a titularidade da conduta democrática e taxando a maioria de autoritária e mandonista é distorcer a realidade, enganar o bom senso recender o esquerdismo no interior do PT. O fato é que João age em nome da ampla maioria do eleitorado de Vitória, do estado e do Brasil que consagra elevados níveis de aprovação aos seus governantes, comprovados por várias pesquisas e quer a continuidade da aliança que está colocando o Espírito Santo e sua capital como modelos de gestão de sucesso no país.
Quem tem a maioria na sociedade e no partido não pode ser chamado desrespeitosamente de ’mandonista’ e sim de “detentor da autoridade democrática e legitima”.
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